seita maranata – acabando com base nas Escrituras com a casa lotérica icemita – “CONSULTA AO SENHOR”: O “QUE” E O “COMO” – ÉZIO LUIZ PEREIRA

Publicado: 8 de março de 2014 em Fatos obra maranata, Obra revelada
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“CONSULTA AO SENHOR”: O “QUE” E O “COMO” – ÉZIO LUIZ PEREIRA

CONSULTA AO SENHOR”: O “QUE” E O “COMO”

Verdade e Mitos, à luz da Bíblia Sagrada

 

 Texto Referência no Antigo Testamento:

 

“…Pelo que consultou Davi ao Senhor, dizendo: Irei eu e ferirei a esses filisteus? Respondeu o Senhor a Davi: Vai, fere aos filisteus e salva a Queila”.

I Samuel 23:2.

                                     Texto Referência em o Novo Testamento:

Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo;”

Hebreus 1: 1-2.

Não raro, no campo da revelação divina, na seara da teofania/epifania, a interpretação bíblica popular se distancia da essência e cai na aparência,  partindo de premissas equivocadas rumo ao misticismo e ao subjetivismo. É com o intuito de esclarecer, à luz do que realmente a Bíblia diz, sem distorções, que esta singela investigação teológica dentro do tecido bíblico, sem dele se distanciar, almeja o escritor chegar. Entender o “que” e o “como”, se chegará ao “para quê” da mensagem bíblica em resposta aos anseios humanos. Decerto, a ênfase aqui será o sustentáculo tão somente nas Sagradas Escrituras, afastando a “doutrina” fundada em “experiências da cotidianidade”, pragmatismo/empirismo perigoso.

Buscar-se-á, portanto, a resposta no contexto revelacional bíblico; não no empirismo (“experiências”) ou no pragmatismo (“praticidade”), situações altamente perigosas para o crente em Jesus. Afinal, experiências da cotidianidade, por mais belas que sejam, se não estiver fundamentada em textos bíblicos coesos, não podem criar “doutrinas”. De mais a mais, “texto sem contexto é pretexto para heresias”. Não se deve ser “menino” na fé (cf. I Coríntios 13:11 e 14:20 e Efésios 4:14) e ser levado por ventos doutrinários que sopram para todo o lado ou “novidades” que se espalham. À obviedade – não se discute – Deus poderá se manifestar e responder através de inúmeros métodos, inclusive com a abertura aleatória da Bíblia, mas não se pode fazer desse método (conhecido pelos antigos povos pagãos como “bibliomancia”) uma “doutrina”, nem um fundamento. Não se pode transformar exceções em regras, com base em situações experienciais.

Para o exegeta bíblico a resposta se encontra na fonte bíblica; não nas experiências da cotidianidade, máxime porque experiências cotidianas, sem respaldo bíblico, não têm o condão de criar doutrinas e/ou fundamentos. De outro ângulo, a interpretação bíblica séria, tem como diretrizes os aspectos históricos, culturais, gramaticais (no idioma original), mas e sobretudo, espirituais, dentro de um contexto lógico e coerente com a mensagem bíblica num diálogo salutar entre o Antigo e o Novo Testamento. Não mais; porém, não menos.

No campo das experiências, Saul vivenciou uma, na qual Samuel “depois de morto”, entregou uma palavra profética para Saul (I Samuel 28). Mas essa “experiência” poderia ser palco para uma doutrina ou para um “fundamento”? Não, pois foge do contexto doutrinário bíblico. Curioso que Saul tentou consultar ao Senhor pelo modelo revelacional divino correto: “Pelo que consultou Saul ao Senhor, porém o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas” (I Samuel 28:6). Então, não obtendo resposta pelos meios divinos, desviou-se do método verdadeiro e passou para o campo místico da “experiência” da necromancia (tal como a “bibliomancia”).

Então, quando Deus não fala ao coração do crente, ele passa a usar métodos materializados e mecânicos, não ortodoxos, e constrói “doutrinas” que não se coadunam com a sã doutrina. Pior do que adotar modelos antiescriturísticos como “doutrina”, é impor aos fiéis de uma organização eclesiástica, o modelo que não se coaduna com a Palavra de Deus em sua essência. Pior é criar condicionantes, como por exemplo, o uso da “bibliomancia” para impor restrições, tais com: batismo nas águas, chamamento para um cargo eclesiástico, exercício dos dons espirituais etc., submetendo-os aos ritos litúrgicos dissonantes das Sagradas Escirutras.

Procurar a relevância contemporânea dos textos antigos implica em estabelecer uma série de sucessivas indagações ao texto e, para respondê-las, impõe-se o uso de instrumento interpretativo criterioso. Isso leva o intérprete a um mergulho histórico, estabelecendo marcos gramaticais originários, na língua originária, dentro de um contexto, com uma investigação séria do tecido bíblico. Deve-se extrais da tessitura bíblica apenas o que ela pretendeu dizer, afastando a “ginástica intelectual de contorcionista”. Mas não é só. Tudo isso sem o sopro divino não se chegará muito longe, porque a resposta certa vem de Deus.

Nessa quadra, a linha de indagações que se deve fazer é: a doutrina “x” adotada pela instituição eclesiástica “Y”, está prevista claramente na Bíblia, na adoção do preceitoSola Scriptura? O Senhor Jesus a ensinou de forma expressa, nos quatro primeiros livros do Novo Testamento? Ele a recomendou de forma indubitável? Há a adoção da referida “doutrina” pela igreja primitiva no livro de Atos dos Apóstolos? Faz parte das 21 cartas neotestamentárias de forma evidente? Está prevista, no campo escatológico, no livro do Apocalipse? Ou, antes, ela é gerada, por uma interpretação humana distorcida ou por “experiências” da cotidianidade? Ela é espiritualmente bíblica ou ela é mística? É evidente ou altamente questionável? Foi fruto de método veterotestamentário ou neotestamentário para ser adotada pelo cristão? É produto de um contexto sagrado ou gerado por uma interpretação eclesiástica isolada? Pertence aos tempos bíblicos ou faz parte de uma dessas “novidades exóticas” que se criam amiúde? Vale as tradições eclesiásticas sectárias ou somente as Escrituras Sagradas? Importante é a fonte bíblica ou são as experiências? É intuitiva a resposta para quem tem olhos de bem olhar.

Quando se aglutina premissas (maior e menor), na construção de um silogismo, dentre as quais uma falsa, tem-se uma aparência de verdade, partindo de verdades mescladas com inverdades, propiciando, ao leitor menos avisado, uma pintura verdadeira revestida por uma moldura falsa. Veja que Davi consultou ao Senhor: não há dúvidas – isso é uma premissa verdadeira, baseada no “que”. Mas a questão é: qual o veículo através do qual Davi O consultou? Então, tem-se o “como”. Quando não se investiga seriamente o “como” (o método ou o veículo), cai-se em incoerência espiritual. Se o intérprete cria um método não previsto na Bíblia para a consulta sob a afirmação segundo a qual Davi consultou ao Senhor, levará o inculto ou o fraco na fé, a entender que qualquer método (inclusive a “sorte” ou o “acaso”) – desde que haja “consulta” – é válido, o que não é verdade.

Quando se ensina que a consulta em si é bíblica (isso é verdade), mas, sutilmente, introduz-se, como fermento, um método antiescriturístico, induz o fiel a uma inverdade. Vai dizer Paulo, ao escrever para os coríntios: “não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento levada toda a massa?” (I Coríntios 5:6). O que se vem a dizer é que o método da consulta por “sortes”, não possui fundamento bíblico. Vai dizer Salomão, contrastando a resposta verdadeira de Deus com o mero lançamento de sorte: “a sorte é lançada no colo, mas a decisão vem do Senhor” (Provérbios 16:33).

Não se discute a existência de “experiências” com Deus, através de inúmeros métodos. Há quem já tenha consultado a Deus através de livros científicos e Deus falou; há quem já O tenha consultado através da Bíblia, inclusive dos livros chamados apócrifos e Deus respondeu; há quem O tenha consultado através de livros poéticos, acadêmicos, religiosos e Deus neles Se revelou e outros meios. Não se duvida. Contudo, não se pode afirmar que essa linha está em sintonia com as Sagradas Escrituras, pois não há qualquer texto bíblico que ampare esse método de consulta. Davi nunca se utilizou da “bibliomancia”. Nem era de se esperar que o fizesse, pois ele ouvia a voz de Deus; não se lançava em experiências estranhas para fundamentar a sua caminhada.

Decerto, entre a “o argumento da autoridade (eclesiástica)” e “a autoridade do argumento (bíblico)”, firmar-se-á na autoridade do argumento; não no primeiro. É verdade que, numa ausência de conhecimento bíblico profundo, não raro o que o líder eclesiástico afirma passa a ter um “colorido de verdade” (mesmo que não seja), sobretudo quando ele afirma “em nome de Deus”, criando doutrina à margem do Texto Sagrado, levando o fiel (fidelidade à organização) a não ser fiel (a Deus) e a uma cegueira espiritual. Então, o perigo se instala e é preciso esclarecer à luz das Sagradas Escrituras, pois – diga-se uma vez mais – “um pouco de fermento levada toda a massa” (I Coríntios 5:6).

Nessa linha de raciocínio, o método extrabíblico da “bibliomancia” (“consulta” pela abertura mecânica e aleatória, ao acaso, da Bíblia, com mãos humanas, com base na qual o texto isolado, apontado pelo dedo, também conhecida popularmente como “teologia do dedão”, sinaliza a “resposta divina”), veículo perigoso, criado à margem do Texto Sagrado, cuja “doutrina” se firma em meras “experiências” da cotidianidade, criando um vício e uma dependência materializada, que desvia a verdade bíblica, com base em textos isolados, em fragmentação da sã doutrina. Com efeito, Davi nunca poderia ter usado a “bibliomancia”, como método de consulta, pois naquela ocasião não existia a imprensa. De mais a mais, a escrita antiga sobre pergaminhos e papiros impossibilitava quaisquer métodos de “consulta aleatória”, tal como a “bibliomancia”.

Ainda nessa linha de investigação bíblica, quando Cristo esteve no templo e leu o profeta Isaías, Ele não utilizou a “bibliomancia”; Ele “achou” o texto messiânico e, se Ele “achou”, é porque o “procurou”, sem lançar “sortes”: “Chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou na sinagoga no dia do sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; e, abrindo-o, achou o lugar em que estava escrito…” (Lucas 4: 16-17).

Decerto, não se pode fundamentar a “bibliomancia” em Davi, pois ele nunca consultou ao Senhor pela abertura aleatória da Bíblia, sobretudo porque não havia compilação do Texto Sagrado como na contemporaneidade. A propósito, a imprensa foi criada pelo alemão Johannes Gutemberg, por volta do ano de 1.439 e o primeiro livro a ser impresso foi a Bíblia, de 42 linhas, conhecida como “Bíblia de Gutemberg”. Antes disso, era impossível, por meio mecânico, o exercício da “bibliomancia”. Então, tem-se uma heresia implantada ou plantada. À sombra desse raciocínio, tem-se a consequência do desconhecimento:

“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos” (Oséias 4:6).

Em retorno, dir-se-ia que o método é baseado em experiências cotidianas e, por isso, deve prevalecer como “doutrina”; dir-se-ia que a fonte doutrinária não se restringe à Bíblia, mas as experiências e as tradições eclesiásticas se somam à Bíblia. Partindo dessa inverdade, poder-se-ia, por essa “(i)lógica”, criar uma “doutrina” com base na “consulta” através da jumenta, com sustentáculo na experiência interessante de Balaão, narrada em Números 22: 28 e 30, segunda a qual houve uma experiência maravilhosa de ouvir a voz do Senhor através do animal. Com efeito, a exceção não pode criar uma regra.

Conquanto o fato bíblico narrado no parágrafo anterior, seja verdadeiro, pois Deus poderá falar ao ser humano de inúmeras formas e, naquela ocasião usou a “jumenta”, sem que isso sirva para criar um método de revelação divina, como “doutrina” ou “fundamento” de uma instituição eclesiástica, há de se ter discernimento e conhecimento bíblico para não cair em teses absurdas, numa linha mística. Não se pode criar uma “doutrina cristã” com fundamento em experiências do cotidiano. Decerto, a fonte inspiradora da doutrina cristã pura é a Bíblia Sagrada. Não mais; porém não menos. No mais, cai-se num subjetivismo e relativismo, desviando da linha doutrinária bíblica milenar.

Poder-se-ia, no espaço neotestamentário, extrair do episódio da eleição de Matias, no lugar de Judas Iscariotes, cuja narração se encontra em Atos dos Apóstolos (At. 1: 25/26), conforme o qual: “para tomar o lugar neste ministério e apostolado, do qual Judas se desviou para ir ao seu próprio lugar. Então deitaram sortes a respeito deles e caiu a sorte sobre Matias, e por voto comum foi ele contado com os onze apóstolos”. Atente-se: o texto veio seguido de uma eleição bem enfatizada (“voto comum”). Esse texto não autoriza, nem de longe, a utilizar o método da “sorte”. Pensar o contrário, estar-se-ia “autorizando” até o uso de lançamento de “dados”, “búzios” ou “cartas” para “consultar ao Senhor”, (tirar o número “seis”, no lançamento de “dados”, por exemplo, poderia ser entendido como uma resposta negativa, pois o “número seis” é o número do homem, segundo Apocalipse 13:18 [“numerologia” não é doutrina autorizada pelo Texto Sagrado] e por aí vai!). Isso não possui qualquer respaldo bíblico, pois a Bíblia não autoriza esse raciocínio. Tem origem na religiosidade pagã.

É significativo, do ponto de vista da consulta a Deus, entender o “que” e o “como”, dito de melhor forma: trabalhar o “que” é a consulta e o método ou o veículo (o “como”) a consulta é levada a efeito, do ponto de vista bíblico, sem desviar da sã doutrina. Nesse sentido, vai admoestar Paulo, escrevendo para Timóteo (I Tm. 6: 3-4): “Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo e nada sabe…”. Indagação salutar neste momento de incursão bíblica: a “bibliomancia” (juntamente com a “numerologia”), originada da “cabala judaica” e uma linha pagã milenar, está contida nas “sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo”? Em que texto bíblico? É intuitiva a resposta. Logo, não possui qualquer respaldo bíblico.

Deveras, não existe “revelação divina” que não se harmonize com a doutrina bíblica, pois Deus não é incoerente consigo mesmo, nem se compraz com a confusão que o ser humano cria. Quando Paulo, escrevendo para os Romanos (Rm.12:1), admoesta sobre o “culto racional” (do grego latreia logikus), ele dizia acerca de uma adoração e um serviço espiritual dentro de uma razoabilidade (derivado do original grego: logos), dentro de uma razão plausível contextual; combatendo o cerimonialismo formal dogmático sem respaldo nos preceitos bíblicos, porque os Romanos conheciam o culto ao Imperador fora do que era lógico, numa liturgia ilógica. Nesse sentido, admoestou o Senhor Jesus: “Jesus, porém, lhes respondeu: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mateus 22:29).

Ainda sobre o tema da “bibliomancia”, como método místico e experiencial da leitura aleatória de “três textos” isolados ou o conhecido “2X1” (baseado em “álea” ou “sorte”: dois textos positivos e um negativo, para não dar empate) de “consulta” a Deus, há de se perceber que ela desvirtua a fé, em vários aspectos, dentre os quais:1) não há previsão bíblica expressa para esse método; é mero fruto de experiências;2) tende a materializar e a mecanizar a “resposta de Deus”; 3) força a “resposta divina” para que ela se revele em qualquer momento que o “consulente” entender que Deus deva falar, tal seja: na ocasião da “consulta”; 4) a interpretação da “resposta” se situa no campo subjetivo/relativo, dependendo do olhar interpretativo do “consulente”, criando confusões; 5) não admite o “silêncio divino”, se for o caso; 6)pretende direcionar a Deus; 7) afasta a responsabilidade humana, prevista na Bíblia, na tomada de decisões, transferindo-a, supostamente, para Deus; 8) transforma, de forma perigosa, a fé espiritual em mística/material; 9) favorece a manipulação eclesiástica e o catequismo cego; 10) afasta o livre arbítrio humano, deixando o “consulente” à mercê de sua interpretação; 11) causa dependência emocional/psíquica no crente, fazendo-o caminhar a um “acaso tresloucado”, por “sorte”, não recomendado por Cristo; 12) afasta o exercício da fé na voz de Deus no interior da alma remida; 13) vulgariza e banaliza a revelação de Deus, sujeitando-a ao uso das mãos humanas num processo mecânico; 14) neutraliza o exercício do “dom de discernimento de espíritos”, previsto em I Coríntios 12:19, pois havendo “resposta aleatória”, não há necessidade de discernir etc. A propósito, vai dizer Paulo, escrevendo para os Efésios:

“Para que não mais sejamos meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro; antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef. 4:14-15)

Na sequência temática, urge entender o método através do qual Deus poderá ser consultado, na igreja cristã contemporânea que pretende ser “igreja fiel”, à luz das Sagradas Escrituras, para não incorrer em heresias, tal seja “doutrinas” à margem do Texto Sagrado e sem qualquer respaldo nele. Eis a resposta, encontrada no livro neotestamentário de Hebreus, segundo o qual, “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo” (Hb. 1?1-2).

Trata-se de uma resposta séria indicando, de forma nítida, a consulta ao Senhor preceituada tanto no Antigo Testamento (“havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais pelos profetas”) como em o Novo Testamento (“nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho…”). Destarte, não há aqui interpretações forçadas; o texto está claro; não há subjetividade interpretativa; não há como interpretar de forma distorcida; não há como – diante do referido texto bíblico – se sustentar em especulações experienciais ou religiosidades litúrgicas estranhas.

Sob esse viés interpretativo, à luz da evidência da Palavra de Deus, surge a indagação: “como” Davi consultou ao Senhor? Pela “bibliomancia”? Não. Davi era um homem “segundo o coração de Deus”. Ele procurava o profeta Samuel ou outro profeta que estava no turno sacerdotal da ocasião, que por sua vez falava da parte de Deus. Aqui cabe um diálogo salutar com o texto neotestamentário: “Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo” (I Coríntios 2:16). Corroborando esta assertiva está o seguinte texto veterotestamentário: “Antigamente, em Israel, indo alguém consultar a Deus, dizia assim: Vinde, vamos ao vidente; porque ao profeta de hoje, outrora, se chamava vidente” (I Samuel 9:9).

Bem assim, e de outro ângulo, havia o método bíblico da consulta pelo Urim e Tumim (“Luz e Verdade”), que, segundo estudiosos eram pedras depositadas na estola sacerdotal do sumo sacerdote, no dia da entrada no lugar denominado “santo dos santos”, para ministrar, sinalizando, quiçá (não se sabe ao certo), resposta “positiva” ou “negativa”, usadas no período da lei mosaica (cf. Levítico 8:7-8). Caiu em desuso, na igreja cristã, após o advento de Cristo, O Filho de Deus, que Se revela á Sua igreja. Veja o texto veterotestamentário:

“E lhe vestiu Arão com a túnica, e cingiu-se com o cinto, e vestiu-lhe o manto, e pôs sobre ele o éfode, e cingiu-o com o cinto de obra esmerada, e com ele lhe apertou o éfode. Colocou-lhe, então, o peitoral, no qual pôs o Urim e o Tumim” (Lv. 8: 7-8)

Sob essa visão bíblica, Deus já traçou as diretrizes e orientações em Sua Palavra para não deixar dúvidas sobre as decisões e respostas ao longo da existência humana, de maneira que, no mais, o crente, pela fé, deverá buscar de Deus a resposta, conferindo na Palavra de Deus e adequando o seu livre arbítrio dado por Deus à orientação bíblica (“Examinai as Escrituras, porque julgai ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim” – João 5:39. Contudo “examinar” não é lançar sortes; é pesquisar; é investigar; é estudar), nEle confiando, sem lançamento de “sorte” ou “ao acaso”. Oportuno trazer um texto paulino em dupla advertência, conforme transcrito abaixo.

8. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema.

9. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema”

(Gálatas 1:8-9).

Sem embargo do que foi dito até agora neste singelo estudo ofertado pelo Senhor aos ouvidos do escritor, com o intuito de esclarecer, é significativo um mergulho no espaço neotestamentário dos tempos bíblicos, investigando, na conduta da igreja cristã primitiva, a tomada de decisões, como se procedia, para consultar a verdadeira vontade de Deus, sem cair no misticismo, daí porque a “bibliomancia” está em total descompasso com o modelo da igreja primitiva iniciada em Atos dos Apóstolos.

É importante, nessa sequência de estudos bíblicos, lembrar da narrativa neotestamentária, encontrada em Mateus 16: 16-17, na qual o Senhor Jesus pergunta aos discípulos qual o conceito que eles tinham acerca dEle, ao que Pedro respondeu: “Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi a carne e sengue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus”. Então, Jesus ensina a Pedro que a revelação não vem de forma externa materializada (como o exemplo da “bibliomancia”), mas ela surge no interior da alma humana.

Corroborando essa assertiva está a resposta de Jesus para a mulher samaritana, em João 4:14 : “… mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna”. Queria, o Mestre, dizer, com isso, de uma revelação interna, íntima, no interior do coração humano, não externa, física, materializada ou mecanizada, como a manipulação (literalmente: “uso das mãos”), como a “bibliomancia”. Na última comissão aos discípulos, o Senhor admoestou: “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28: 19-20). Isso implica em dizer que não se deve ensinar o que não foi mandado por Jesus. A consulta ao Senhor pelo método da “bibliomancia” foi mandado por Jesus?

Assim é que, os discípulos de Cristo não se afastavam da voz de Deus, para seguir as suas “experiências da cotidianidade”, no sentido de cada um “consultar” da maneira tradicional dos pagãos ou outro método humano, para tomada de decisões. Nesse sentido, Cristo, afastando de todo o misticismo exeterno, asseverou que os Seus servos seriam guiados, em seu íntimo, pelo Espírito Santo: “Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade …” (João 16:13). Portanto, Ele afastou a “direção pela sorte materializada”. Veja aqui, apenas alguns exemplos bíblicos, dentre tantos, de tomadas de decisões da igreja primitiva, com respaldo em Atos dos Apóstolos, sem cogitar, em qualquer momento, do uso da mística “bibliomancia”.

13. Respondeu Ananias: Senhor, a muitos ouvi acerca desse homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; 14. e aqui tem poder dos principais sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome. 15. Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, e os reis, e os filhos de Israel; 16. Pois eu lhe mostrarei quanto lhe cumpre padecer pelo meu nome. 17. Partiu Ananias e entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, enviou-me para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo…” (Atos 9:13-17).

1. Ora, na igreja em Antioquia havia profetas e mestres, a saber: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes o tetrarca, e Saulo. 2.Enquanto eles ministravam perante o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (Atos 13: 1-2).

2. Tendo Paulo e Barnabé contenda e não pequena discussão, com eles, os irmãos resolveram que Paulo e Barnabé e mais alguns dentre eles subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos anciãos, por causa desta questão”. (Atos 15: 2).

4. Havendo achado os discípulos, demoramo-nos ali sete dias; e eles pelo Espírito diziam a Paulo que não subisse a Jerusalém. 5. Depois de passarmos ali aqueles dias, saímos e seguimos a nossa viagem, acompanhando-nos todos, com suas mulheres e filhos, até fora da cidade;” (Atos 21: 4-5).

10. Demorando-nos ali por muitos dias, desceu da Judéia um profeta, de nome Ágabo; 11. e, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo e, ligando os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim os judeus ligarão em Jerusalém o homem a quem pertence esta cinta e o entregarão nas mãos dos gentios (… ). 14. E, como não se deixasse persuadir, dissemos: Faça-se a vontade do Senhor; e calamo-nos.” (Atos 21: 10, 11 e 14).

Com os olhos ainda voltados para o livro neotestamentário de Atos, no qual se observa a formação da igreja cristã, observar-se-á um episódio interessante revelador da conduta adotada pelos que eram guiados pelo Espírito Santo. Assim é que, os crentes de Beréia (cidade da Macedônia, situada cerca de 93 km a oeste de Tessalônica) foram tidos por Lucas (o escritor do livro de Atos), como sendo “nobres”, por uma conduta séria e interessante. Eles “examinaram diariamente as Escrituras” para conferirem se o que ouviam estava em consonância com as Sagradas Escrituras. Não lançaram “sortes” (o que afasta, uma vez mais, a mística da “bibliomancia”). Veja o texto abaixo transcrito.

10. E logo, de noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia; tendo eles ali chegado, foram à sinagoga dos judeus. 11. Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica; porque receberam a palavra com toda a avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim”. (Atos 17:10-11)

Em última análise, o que se vem a dizer é que o método veterotestamentário para a consulta ao Senhor, de forma oficial, eram as duas aqui retratadas; não mais. Em o Novo Testamento, tem-se o Filho de Deus Se revelando para o servo de Deus, em seu coração, de forma íntima, sem materialização; numa revelação pura, agradável, misteriosa, pela fé e sem confusões interpretativas altamente questionáveis. Entrementes, não se pode entender o Filho de Deus, de forma materializada, como sendo um livro impresso empoeirado, mas de forma espiritual, atravessando fronteiras e repousando no coração do servo de Deus, com a alma remida, pela fé, na sublime vontade de servi-lO e segui-lO. Deus nos abençoe, nos livre de heresias e nos ensine os Seus Santos Preceitos.

POR ESCRITOR ÉZIO LUIZ PEREIRA

Obs. Este singelo estudo bíblico surgiu a partir de dezenas de indagações, via  e-mail, de diversas regiões do Brasil, ao seu escritor, sobre o tema da “consulta ao Senhor” pelo método aleatório extrabíblico da “bibliomancia”, de origem cabalística antiga, o que levou o escritor a buscar, durante alguns meses, de Deus uma resposta nas Sagradas Escrituras, confeccionando este estudo em apenas dois dias. Portanto, tem-se como uma resposta às tais indagações.

fonte: http://diganaoaseita.wordpress.com/2014/03/08/consulta-ao-senhor-o-que-e-o-como-ezio-luiz-pereira/

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