R$ 1,8 milhão doados à igreja – Valor foi repassado à Maranata por deputados estaduais

Publicado: 11 de maio de 2012 em Fatos obra maranata
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foto: Bernardo Coutinho
Elcio Alvares, deputado estadual pelo DEM, junto com a mesa diretora, anuncia a devolução do dinheiro que não foi usado na última gestão - Editoria: Política - Foto: Bernardo Coutinho
O deputado Elcio Álvares doou R$ 860 mil  à instituição nos últimos seis anos

Vilmara Fernandes e Letícia Cardoso

Um total de 1,8 milhão de recursos públicos foi destinado por deputados estaduais para a fundação da Igreja Cristã Maranata. Entre os parlamentares que destinaram os recursos para a fundação Ademar Passos de Barros – no período de 2005 a 2011 – estão Elcio Álvares, Aparecida Denadai, Geovani Silva e Jurandy Loureiro. Os três primeiros são fiéis da igreja; e o último, amigo pessoal do presidente da instituição, Gedelti Victalino Gueiros.

Os valores foram entregues para compra de ambulâncias, subvenções sociais, apoio a entidades filantrópicas, compras de equipamentos e até para melhorias no atendimento. Quem mais fez doações no período foi Elcio (R$ 860 mil), seguido de Aparecida (R$ 450 mil), de Geovani (R$ 410 mil) e, por último, Jurandy (R$ 80 mil).

A fundação leva o nome do primeiro presidente da Maranata, Manoel dos Passos Barros, sogro do atual líder da igreja, Gedelti. Hoje é administrada por Nilson Ladeira. O administrador anterior era Antônio Tarcísio Correa de Mello, cujo nome aparece em um dos muitos documentos relativos ao esquema de fraude montado por membros da instituição.

Crédito

O documento – um comprovante de crédito em conta corrente – teria sido feito por uma parente de José Gomes Filho. De acordo com ele, o valor refere-se ao pagamento de um empréstimo que conseguiu com Antônio Ângelo Pereira dos Santos, o vice-presidente afastado pela igreja e apontado como cabeça do esquema de desvios. “Fui orientado por Antônio Ângelo a depositar na conta de Tarcísio como pagamento de parte de um lote em Domingos Martins”, diz José Gomes, no mesmo documento.

Também participava da diretoria da fundação o coronel reformado da Polícia Militar Renato Duguay Siqueira. Ele foi um dos militares que comandaram a “rebelião de coronéis contra o ex-secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda, após a publicação do livro “Espírito Santo”. A obra relata a participação de militares, incluindo coronéis, na morte do juiz Alexandre Martins Filho.

Desvio

O desvio de recursos na Maranata contava com a participação de pastores, diáconos e até fonecedores, segundo investigações da igreja. Estimativas iniciais apontam para um rombo de R$ 21 milhões. A igreja recorreu à Justiça, pedindo ressarcimento de R$ 2,1 milhões. Além do vice-presidente, o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga foi afastado.

A Maranata, por meio de sua assessoria, informou que Tarcísio e Duguay não atuam na fundação há um ano e que as transações que envolvem ao nome deles são particulares.

Ex-deputado não se arrepende de ter apoiado doações

O deputado Élcio Alvares (DEM), a ex-deputada Aparecida Denadai (PDT) e os ex-deputados Geovani Silva e Jurandy Loureiro (PSC) foram procurados por A GAZETA para comentar sobre as emendas parlamentares que apresentaram na Assembleia Legislativa a favor de repasses financeiros do Estado para a Fundação Manoel Carlos de Barros. Somente o ex-deputado Geovani Silva atendeu às ligações.

Ele afirmou que não se arrepende de ter apoiado a doação de recursos à fundação, coordenada pela Igreja Maranata. “Se a igreja está com problemas isso não significa que as emendas também estão. Não há nenhum problema e prova alguma que diga o contrário. Não fiz nada errado”, defende-se Geovani Silva.

Prevenção

Ao todo, entre 2005 e 2011, foram mais de R$ 1,8 milhão destinados para ações sociais. Segundo o ex-deputado Geovani Silva, parte dessa verba, aprovada pela Assembleia Legislativa, foi destinada a programas de prevenção ao câncer de pele. “Visitei os espaços ajudados pela fundação e vi para onde parte do dinheiro foi. Entre os locais está o Cacon (Centro de Alta Complexidade em Oncologia)”, disse.

O ex-deputado frisou que acredita na palavra do presidente da Igreja Maranata, Gedelti Gueiros. “Por ele, boto a minha mão no fogo”, frisou Geovani Silva. Ele, o deputado Elcio Álvares e a ex-deputada Aparecida Denadai são membros da igreja. O ex-deputado Jurandy Loureiro é amigo de Gueiros. (Maurílio Mendonça)

Presidente da Maranata não comparece à delegacia e novo advogado assume o caso

O depoimento do presidente da igreja Maranata, Gedelti Victalino Gueiros, à Delegacia de Defraudações e Falsificações, em Vitória, foi adiado. Ele foi intimado a comparecer no local às 10 horas desta quinta-feira (09), mas o advogado que assumiu a defesa da igreja referente ao inquérito criminal, Homero Mafra, pediu prazo ao delegado Gilson Gomes para analisar o caso.

Nesta sexta-feira (10) o delegado deve se reunir com o advogado. Ainda não há nova data para o depoimento do representante da igreja. Gueiros deve prestar informações sobre um esquema de desvio de dinheiro na igreja.

O inquérito policial foi aberto há três dias, segundo o delegado, com base em reportagens publicadas sobre o assunto. “E já conta com três volumes”, assinalou Gomes, na tarde de ontem, acrescentando que tem recebido diversas denúncias e informações de fiéis. A polícia também recebeu um ofício do juiz da 8ª Vara Cível, Robson Albanez, solicitando que investigasse o caso.

Albanez – denunciado pela Operação Naufrágio por venda de sentenças – decretou, a pedido da Maranata, segredo de Justiça na tramitação do processo. Até o fim da noite de ontem, não estava confirmada a ida de Gedelti à delegacia.

Pastor omitiu bens em sua declaração de imposto

O nome de Antônio Ângelo Pereira dos Santos, o homem que ocupava a vice-presidência da Igreja Cristã Maranata, aparece em documentos de compras de imóveis que não foram declarados ao Imposto de Renda. Ele foi afastado de suas funções – administrativas e religiosas – após ter sido acusado de montar um esquema de desvio de recursos do dízimo.

Um desses imóveis é um apartamento localizado em Valparaíso, na Serra, comprado em 2007. No mesmo município, há outro imóvel em um condomínio fechado que ainda não foi declarado ao Fisco.

No mesmo município e das mesmas construtores, outro membro da igreja comprou imóveis bem semelhantes, que juntos totalizam mais de R$ 600 mil. Essa pessoa – que em 2009 declarou ser solteira e ter como profissão “pavimentador” – passou para Antônio uma procuração com amplos poderes. Há indícios de que essa pessoa seria um dos laranjas do vice-presidente afastado, apontado como o responsável pelo desvio de recursos do dízimo.

Em casa

Há documentos que mostram a movimentação financeira de Antônio Ângelo e que revelam que ele vendeu à própria igreja uma área em Serra-Sede. Documentos mostram, ainda, que Antônio Ângelo atuava nas empresas que prestavam serviço para o Presbitério de Vila Velha. Uma delas é uma empresa de serviços elétricos que o contratou como consultor. Pelo serviço “extra”, praticado em 15 horas semanais, recebia R$ 12 mil por mês.

Há ainda dezenas de cheques e transferências para contas correntes, todas nominais, que foram creditadas na conta de Antônio Ângelo por diversas empresas. Todas prestaram depoimento na investigação feita pela Maranata, revelando que, do faturamento que obtiveram, até 70% eram destinados a Antônio Ângelo.

defesa

O advogado José Luiz Oliveira de Abreu – que defende Antônio Ângelo e o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga, também acusado pelos desvios – diz que todo o material obtido pela investigação da igreja não tem relevância e que boa parte dos documentos são anônimos. Acrescenta que seus clientes não tiveram o direito de se defender junto à igreja e que só podem ser considerados culpados após julgamento.

Preocupação com malha fina nos EUA

Uma troca de e-mails entre pastores revela que a remessa de dólares para o exterior chamou a atenção do Banco Central dos Estados Unidos. O comunicado foi feito pelo pastor americano Ben Kennedy a Antônio Ângelo Pereira dos Santos, o pastor que ocupava a vice-presidência da Maranata e que foi afastado após ser apontado como o cabeça do esquema desvio de recursos.

Todo mês, Kennedy enviava a Antônio um relato sobre as remessas de recursos destinados ao Leste Europeu. Em março de 2011, relatou ter recebido um telefonema do representante do Banco Central norte-americano.

“A impressão que tive foi de que estamos em alguma malha fina da auditoria do governo americano, que sempre procura indícios de lavagem de dinheiro e financiamento de terrorismo”, diz Kennedy, em seu e-mail. E orienta: “Talvez seja interessante considerar fazer estas transferências pela Europa”.

A Maranata informou que desconhece irregularidades nesse sentido. Caso tenha ocorrido, terá sido mais uma atitude irregular do antigo gestor. Diz que mantém seu compromisso de apurar as denúncias e exigir, pelos meios legais, a punição dos responsáveis e o ressarcimento do que lhe foi subtraído.

fonte: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/02/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/1111561-r-1-8-milhao-doados-a-igreja.html

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